Friday, September 30, 2016

Não há Deus supremo ou Deus criador no Dharma de Buda

(translated from English by Shaku Shinkai)


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Buda (á direita) ensinando a Verdade ao Brahma Baka (esquerda), 
que estava sob a ilusão de que é supremo no mundo.
Hoje em dia, muitas pessoas de dentro e fora da Sangha disseminam a idéia de que o Buda Shakyamuni não negou e nem afirmou a existência de Deus. Então, de alguma forma está implícito que o Honorável deixou a porta aberta para interpretações e que um discípulo budista pode acreditar em um Deus Criador ou Supremo.

Esta é uma ilusão que não está de acordo com o ensinamento de Shakyamuni. De fato, o Buda negou claramente a existência de um ser supremo que criou o mundo, governa o mundo e um dia julgará o mundo. Neste artigo e em outros que virão em seguida, não tenho a intenção de entrar em nenhum debate ou polêmica com seguidores de outras religiões sobre a existência ou não existência de um Ser Supremo, quero apenas provar que o Buda Shakyamuni claramente negou esta questão, considerando-a como uma ilusão falsa e perigosa. Para mim, a coisa mais importante não é o que as religiões monoteístas dizem, ou se alguns preferem crer em um Deus Criador (é escolha de cada um), mas sim o que disse  o Buda. Então, se nos consideramos discipulos de Buda, devemos entender sua posição sobre este assunto e segui-la com fé.


É conhecido que em muitas religiões e tradições filosóficas contemporâneas ao Buda, a idéia de um Ser Supremo que criou o mundo e o sustenta era compartilhada por muitos. Foi exatamente por isso que ele não manteve o silêncio, mas pregou contra esta visão.

Na Narrativa Sobre o Convite do Brahma (Brahmanimantanika Sutra)[1], Buda conta a história de sua visita ao mundo celestial de uma deus poderoso chamado Baka Brahma, com o intuito de convencê-lo a renunciar sua visão distorcida sobre si mesmo e seu reino:

 “Bhikkhus[2], certa vez eu estava á sombra de uma árvore real no Bosque de Subhaga em Ukattha. Naquele tempo, uma ideia havia surgido na mente do Brahma Baka:

‘Este reino é permanente; é sem fim, eterno; isto é tudo [completo em si mesmo]; não está sujeito a perecer, nunca nasce nem morre (dos céus), não renasce; e também, não há nada para além disso.’

Com a minha mente eu soube o que o Brahma Baka pensava, e assim como um homem forte flexiona o seu braço estendido, eu desapareci da sombra da árvore sala real no Bosque de Subhaga em Ukkattha e apareci no mundo de Brahma.

O Brahma Baka me viu à distância e disse:

‘Bem vindo, estimado senhor! Isto é permanente, não tem fim, é eterno, isto é tudo, isto não está sujeito a perecer; não nasce, nem envelhece, nem morre, nem desaparece, nem renasce, e não há nada mais para além disso.’

Ao ouvir isto, Shakyamuni imediatamente tentou corrigi-lo dizendo que nada é permanente ou eterno, nem mesmo o reino e o poder dos deuses:

‘O estimado Brahma Baka caiu na ignorância; ele caiu na a ignorância ao dizer que o impermanente é permanente, que o transitório é interminável, que o que tem fim é eterno, que o incompleto é completo, que aquilo que está sujeito a perecer não pode perecer, que aquilo que nasce, envelhece, morre, desaparece e renasce, nem é nascido, nem envelhece, nem morre, nem desaparece, nem renasce; e quando há uma  algo para mais além, ele diz que não há nada para além disso.’

Então, para impedir o Buda de contar mais verdades, o demônio Mara[3] apossou-se de um dos membros do Cortejo de Brahma[4] e entrou em discussão, referindo-se ao Buda com o termo “bhikkhu” (monge), como se ele fosse um simples buscador inferior ao Brahma:

 “Bhikkhu, bhikkhu, não duvide dele; pois este é Brahma, o Grande Brahma, o Conquistador, o Não-conquistado, Onisciente, Onipotente, Senhor, Deus e Criador, Soberano, Providência Divina, Pai de todos aqueles que são e serão.”

Esta passagem é extremamente importante já que mostra a ilusão que Mara tenta oferecer deus Brahma e a todos os seres – a chamada existência  de um Deus Supremo cirador que governa tudo. Também, ele menciona alguns dos títulos que as religiões monoteístas dão ao que chamam de Deus Supremo: “Onisciente, Onipotente, Senhor, Deus e Criador, Soberano, Providência Divina, Pai de todos aqueles que são e serão.”

Em seus esforços para impor esta visão, ele tenta assustar os demais dizendo que antes de Shakyamuni, haviam muitos outros “reclusos e brâmanes” que foram contra este Deus Criador e que, após a morte, nasceram em reinos inferiores[5] pela sua falta de fé, ao passo que outros que mantinham a fé em Brahma, alcançaram um renascimento superior em um corpo superior[6]. Então ele diz para o Buda obedecer a Brahma e não agir contra ele:

“Portanto, bhikkhu, eu lhe digo isso:
Estimado senhor, faça agora tudo aquilo que Brahma diz! Nunca transgrida a palavra de Brahma. Se você transgredir a palavra de Brahma, bhikkhu, então, você será como um homem que tenta desviar um raio de luz com uma vara, ou como um homem que não consegue se agarrar à terra com as mãos e os pés enquanto cai num abismo profundo. Tenha certeza, estimado senhor, de apenas fazer aquilo que Brahma diz; nunca transgrida a palavra de Brahma. Você não vê o Cortejo de Brahma aqui sentado, bhikkhu?’ E Mara, o Senhor do Mal, assim convocou-me para perto do Cortejo de Brahma.”

Mas o Buda imediatamente reconheceu Mara sob seu disfarce de membro do Cortejo e expôs sua farça para todos. Infelizmente, ele era o único que não havia caído sob a influência de Mara:

 “Quando isso foi dito, eu disse para Mara, o Senhor do Mal: ‘Eu o conheço, Senhor do Mal. Não pense: “Ele não me conhece.” Você é Mara, Senhor do Mal, e Brahma, seu Cortejo e seus membros estão todos nas suas mãos, eles todos estão sob o seu poder. Você, Senhor do Mal, pensa: ‘Este mundo também caiu nas minhas mãos, ele [o Buda] também está sob o meu poder’; mas eu não caí nas suas mãos, Senhor do Mal, eu não estou sob o seu poder!”

Então, quando o Brahma Baka entrou novamente em discussão, ele voltou ás suas visões como mencionadas anteriormente. Então, imbuído de orgulho, ele ameaça ao Buda, tentando submete-lo á sua vontade.

“Bhikkhu, eu lhe digo isto: Você não irá encontrar escapatória para além disto e no final das contas irá colher apenas cansaço e desapontamento, mas [...] ‘se você confiar em Brahman [Deus], você estará próximo de mim, descansará no meu domínio, para que eu exerça a minha vontade sobre você, tornando-o simples e humilde’”

Sem medo, o Buda fala sobre as limitações do Brahma, provando para ele que mesmo que ele agora tenha um grandioso poder sobre os outros e sobre uma parte do universo (devido aos karmas anteriores), conhecendo sobre os altos e baixos deste reino, ainda assim há partes do universo que não estão sob o seu domínio, e há deuses (que não são iluminados e tampouco supremos) muito superiores ao Brahma.

Eu conheço seu destino (karma), Brahma, e conheço seu esplendor.
Até onde a rotação do sol e da lua
brilha e ilumina os quadrantes,
mais do que mil mundos,
essa é a extensão da sua soberania.
E nisso você conhece o superior e o inferior,
e aqueles com cobiça e aqueles livres de cobiça,
o estado que é assim e diferente,
o ir e vir dos seres.”

“Brahma, eu compreendo o seu alcance e a sua influência com essa extensão: o Brahma Baka possui esse tanto de poder, esse tanto de força, esse tanto de influência. Mas, Brahma, existem três outros mundos[7], que você nem conhece e nem vê, que eu conheço e vejo.

Então, o Buda diz para ele que a situação atual dele é, de fato, uma involução de estados mais altos em que ele se encontrava antes. Assim como tudo o que sobe, um dia cai,
Baka Brahma também caiu de estados superiores quando o bom karma que o levou para lá foi exaurido.  Infelizmente, devido a sua ignorância e poder limitados, ele não pode lembrar-se deste passado, mas na visão ilimitada da Iluminação que tudo alcança, o Buda pode vê-lo:

“(1) Há um mundo, Brahma, chamado Abhassara (Mundo da Luz Suprema)[8] , do qual você caiu e renasceu aqui. Porque você viveu aqui por muito tempo, a sua memória daquele mundo desapareceu e assim você não sabe ou vê além, mas eu sei e vejo.. Portanto, Brahma, com relação ao conhecimento direto, eu e você não estamos no mesmo nível, como então poderia eu saber menos? Na verdade, eu sei mais do que você.

(2) Há um mundo, Brahma, chamado Subhakinna (Mundo da Pureza Universal)[9] do qual você caiu e renasceu aqui. Porque você viveu aqui por muito tempo, a sua memória daquele mundo desapareceu e assim você não sabe ou vê além, mas eu sei e vejo. Portanto, Brahma, com relação ao conhecimento direto, eu e você não estamos no mesmo nível, como então poderia eu saber menos? Na verdade, eu sei mais do que você.

 (3) Há um mundo, Brahma, chamado Subhakinna Brhatphala (Mundo dos Frutos Superiores)[10] que você não sabe ou vê além, mas eu sei e vejo. Portanto, Brahma, com relação ao conhecimento direto, eu e você não estamos no mesmo nível, como então poderia eu saber menos? Na verdade, eu sei mais do que você.

 Buda ensinando ao Brahma Baka e seu Cortejo.
Então, de modo a provar as limitações do Brahma, o Buda o desafiou para ver qual dos dois conseguiria desaparecer da vista do outro:

"Bem, então, estimado Senhor, eu desaparecerei da sua vista'
"Bem, então, Brahma, desapareça da minha vista se você puder.[11]

É claro, Brahma foi incapaz de provar sua superioridade e não pôde desaparecer da visão sem impedimentos de Buda: 
"Então, o Brahma Baka [pensando] ‘Eu desaparecerei de vista de Gautama, o contemplativo,' não foi capaz de desaparecer da minha vista.[12]
Já para o Buda, isto não foi difícil de se fazer, e então ele desapareceu da vista de Brahma e seu Cortejo, deixando que apenas ouvissem a sua voz[13]:

“Então, bhikkhus, realizei este feito através de um poder supra-humano de modo que o Brahma, seus Cortejo e seus membros, podiam ouvir a minha voz mas não podiam me ver. Depois de desaparecer eu disse:

Tendo visto o perigo,
em todos os modos de existência
e existindo
 buscando pelo não-ser,
eu não afirmo nenhum modo de existir,
nem me apego a nenhum deleite da existência.[14]

Isto deixa Brahma e seu cortejo admirados, e eles começam a reconhecer a superioridade de Buda, mas Mara intervém rapidamente tentando convencer o Buda o ensinamento destas ideias, e, portanto, não aceitar discípulos:

“Estimado senhor, se é isso que você sabe, se é isso que você descobriu, não guie os seus discípulos e renunciantes, não ensine o Dharma para os seus discípulos renunciantes!”

Novamente, ele tenta assustar o Buda ao dizer que estes renunciantes e buscadores espirituais que seguiram o Buda e pregaram desta forma, renasceram em reinos inferiores[15], enquanto aqueles que se abstiveram e mantiveram silêncio, tiveram um bom renascimento[16]. Mas então Buda revela as intenções traiçoeiras de Mara:

“Eu o conheço, Senhor do Mal. Não pense: ‘Ele não me conhece.’ Você é Mara, Senhor do Mal. Não é por compaixão por eles que você fala assim, é por não possuir compaixão por eles que você fala assim. Você pensa assim, Senhor do Mal: ‘Aqueles, para quem o contemplativo Gautama ensinar o Dharma, irão escapar da minha influência.’”
Então, foi esta a razão pela qual Mara tentou impedir o Buda de ensinar a não existência de um Deus Criador, Todo Poderoso e eterno, porque este ensinamento iria livrar as pessoas de sua influência. Neste sutra, Mara é considerado não apenas o demônio celestial do Mundo do Deleite das Manifestações dos Outros (Paranirmitavaśavartin), mas também como a personificação da ilusão, ignorância e todos os obstáculos internos e externos que impedem a Iluminação. Então, de acordo com o Buda, a crença em um Deus Supremo, criador e governante do universo, é um erro grave e um obstáculo para a verdadeira liberdade dos ciclos repetitivos de nascimentos e de mortes.

Em contraste aos vários renunciantes e ou buscadores espirituais que acreditavam no eterno Deus criador Brahma, ou aqueles que Mara exemplificou anteriormente, o Buda é que é o verdadeiro Desperto:

“Aqueles seus renunciantes e brâmanes, Senhor do Mal, que diziam ser perfeitamente iluminados, não são perfeitamente iluminados. Mas eu, que reivindico ser perfeitamente iluminado, sou perfeitamente iluminado.

 […]Senhor do Mal, o Tathagata abandonou as impurezas que contaminam e que causam a renovação do ser/existir, que trazem problemas, que amadurecem no sofrimento e  que conduzem ao futuro nascimento, envelhecimento e morte; ele cortou-as pela raiz, fez como um tronco de palmeira que foi cortado , eliminando-as de forma que não estarão mais sujeitas a um futuro surgimento. Como uma palmeira, cujo topo foi cortado, é incapaz de crescer, assim também, o Tathagata abandonou as impurezas que contaminam, cortando-as pela raiz, fez como um tronco de palmeira cortada eliminando-as de  forma que não estarão mais sujeitas a um futuro surgimento.”

Também há outras passagens em que Buda Shakyamuni claramente nega a existência de um Deus Supremo, e nos próximos artigos falarei sobre eles. Agora quero apenas insistir mais um pouco sobre a situação descrita acima. O que vemos no sutra é um deus poderoso que tem uma vida muito longa devido ao seu bom karma passado caindo na ilusão de que é supremo no universo e criador e mestre do mundo. E, aquele que o apoia em sua ilusão é o mais poderoso demônio do samsara – Mara, o Senhor do Mal. Se colocarmos a história do Brahmanimantanika Sutra em um contexto moderno e a relacionarmos com as religiões monoteístas de hoje, poderíamos dizer que o Deus Supremo está sob influência de Satã, que o fez acreditar que ele é “Onisciente, Onipotente, Senhor, Deus e Criador, Soberano, Providência Divina, Pai de todos aqueles que são e serão.”

Isto poderia fazer com que todos aqueles que tendem a misturar o budismo com o cristianismo ou com outras religiões monoteístas a pensar duas vezes antes de tomar conclusões precipitadas sobre o Buda não ter negado a existência de um Deus Supremo e criador.

É claro que há muitos deuses poderosos governando os vários reinos do vasto samsara que podem crer na ilusão de serem supremos e eternos, apenas como muitos humanos declaram-se  supremos dentre seus povos, mas isto é apenas uma ilusão dentre as muitas ilusões dos seres não iluminados. Na verdade, a prosperidade, a duração da vida, poder e habilidades que temos são devidos ao nosso karma e se modificarão de acordo com ele. Nada dura para sempre e aqueles que estão agora em uma posição de grande força no mundo humano ou em outro reino celestial, um dia cairão, quando o karma que os trouxe até lá for exaurido. Então, até os deuses mais poderosos morrem. Ter fé em um deles, especialmente naqueles que têm a ilusão de que são poderosos, pode ser benéfico a curto prazo e pode até levar ao renascimento em reinos celestiais, se também cultivarmos boas ações. Porém, a longo prazo, quando estes deuses e seus reinos desaparecerem, cairemos novamente. É por isso que o Estado de Buda ou Nirvana deveria ser o objetivo máximo da vida religiosa, porque de lá não podemos cair:

“A iluminação de caminhos não budistas é chamado de impermanente, a Iluminação  budista é chamada de eterna. A emancipação de caminhos não budistas é chamada de impermanente, a emancipação dos caminhos budistas é chamada de eterna.”[17]



- Este é um fragmento do meu livro  O Verdadeiro Ensinamento Sobre Buda Amida e Sua Terra Pura que está sendo traduzido para o português - 




[1] The Brahmanimantanika Sutra, que é parte do Majjhima Nikaya 49 tem um paralelo com o Madhyama Āgama (MĀ 78), que concorda com a versão Pali sob o titulo de “Convite do Brahma ao Buda” (梵天請 ), e também que o Buddha está na floresta de Jeta próxima a Savatthī. A primeira parte do Brahmanimantanika Sutra aparece como um discurso no Samyutta Nikaya e é chamado de Sutra de Brahma Baka (S 6.4).3 Todas as três versões iniciam com Baka acreditando que o seu reino é permanente e supremo, então o Buda, percebendo esta visão distorcida, vai visita-lo. Aparentemente, o Brahmanimantanika Sutra é uma extensão da narrativa do Sutra de Brahma Baka (S 6.4), ou o último, dando apenas uma breve narrativa, é um sumário do anterior. No entanto é mais provável que ambos os textos sejam originais. O inicio de ambos os sutras são idênticos, mas enquanto o Brahmanimantanika Sutra acontece em Ukkattha, o Sutra de Brahma Baka acontece em Sarvasti. Também é interessante notar que a narrativa em Majjhima é dada em primeira pessoa, com o próprio Buda narrando o evento, mas a narrativa em Samyutta é em terceira pessoa. Tanto no Sutra de Brahma Baka (S 6.4) quanto na versão do MA 78 concorda-se que o Buda reside na floresta de Jeta próxima de Savatthī..
(Introdução a versão em inglês do Brahmanimantanika Sutta por Piya Tan). As passagens citadas neste subcapitulo são das traduções feitas por Piya Tan, exceto quando indicado nas respectivas notas de rodapé.
[2] Bhikkhus significa “monges”. Shakyamuni começa este sutra (narrativa) falando diretamente aos monges. É algo como “caros monges…".
[3] O Sutra do Nirvana lista quarto tipos de demônios: 1) inveja, raiva e ilusão; 2) As cinco skandas, ou obstruções causadas pelas funções mentais e físicas; 3) morte; e 4) o demônio do  Mundo do Desfrute das Manifestações Alheias (Paranirmitavaśavartin). Então, nos textos budistas a palavra “demônio” é ás vezes usada com o significado de demônios internos, ou paixões cegas pessoais e ilusões, mas também no sentido de um ser que existe de fato ou seres que perturbam outros impedindo-os de alcançar a liberação dos nascimentos e mortes. Hoje em dia há uma distorção por parte de alguns budistas modernos que pensam em maras apenas como demônios internos e nunca externos. No entanto, eu incentivo os meus amigos do Dharma e leitores a não pensar nestes termos, ao invés disto, ter a mente confiante em Buda Amida como forma de se proteger destes seres demoníacos e poderosos.
[4] É importante notar que Mara utiliza “um certo membro do Cortejo de Brahma” claramente como uma fração dos membros. No entanto, Mara tomou conta de Brahma, seu Cortejo e seus membros. (nota do tradutor da versão em inglês).
[5] “Antes da sua época, bhikkhu, houve reclusos e brâmanes no mundo que repudiaram a terra devido ao desencantamento com a terra, que repudiaram a água devido ao desencantamento com a água, que repidiaram o fogo devido ao desencantamento com o fogo, que repudiaram o ar devido ao desencantamento com o ar, que repudiaram os seres devido ao desencantamento com os seres, que repudiaram os devas devido ao desencantamento com os devas, que condenaram Pajapati devido ao desencantamento com Pajapati, que repudiaram Brahma devido ao desencantamento com Brahma; e com a dissolução do corpo, quando a vida deles foi interrompida, eles se estabeleceram em um corpo inferior".
[6] “.Antes da sua época, bhikkhu, houve reclusos e brâmanes no mundo que louvaram a terra devido ao deleite com a terra, que louvaram a água devido ao deleite com água, que louvaram o fogo devido ao deleite com o fogo, que louvaram o ar devido ao deleite com o ar, que louvaram os seres devido ao deleite com os seres, que louvaram os devas devido ao deleite com os devas, que louvaram Pajapati devido ao deleite com Pajapati, que louvaram Brahma devido ao deleite com Brahma; e com a dissolução do corpo, quando a vida deles foi interrompida, eles se estabeleceram num corpo superior”.
[7] Estes são o Segundo Céu de Dhyana, o Terceiro Céu de Dhyana e o Quarto Céu de Dhyana no Mundo das Formas, com seus respectivos reinos e seres. Estão situados acima do Primeiro Céu de Dhyana com seus três reinos, que o único governado por Brahma Baka.
[8] O maior reino no Segundo Céu de Dhyana.
[9] O amior reino no Terceiro Céu de Dhyana.
[10] O terceiro reino no Quarto Céu de Dhyana.
[11] "Brahma-nimantanika Sutta: The Brahma Invitation" (MN 49), traduzido do Pali por Thanissaro Bhikkhu. Access to Insight (Legacy Edition), 17 de Dezembro 2013, http://www.accesstoinsight.org/tipitaka/mn/mn.049.than.html 
[12] "Brahma-nimantanika Sutta: The Brahma Invitation" (MN 49), traduzido do Pali por Thanissaro Bhikkhu. Access to Insight (Legacy Edition), 17de Dezembro, 2013, http://www.accesstoinsight.org/tipitaka/mn/mn.049.than.html 
[13] Idem.  
[14] “Em outras palavras, o ato da busca pelo não ser — ou aniquilação — também é um modo de vir a ser. Embora o caminho budista tenha como objetivo a cessação do ser (bhava), ele não tenta esta cessação por meio da aniquilação do processo do vir a ser. Ao invés disso, o foco é no que já veio a ser (bhuta),desenvolvendo o não desejo pelo que veio a ser e pelas causas do que veio a ser. Sem nenhuma paixão, não há apego ás causas do que veio a ser e através  do não apego, vem a liberação."  Nota de rodapé 10, do "Brahma-nimantanika Sutta: The Brahma Invitation" (MN 49), traduzido do Pali por Thanissaro Bhikkhu. Access to Insight (Legacy Edition), 17 de Dezembro 2013, http://www.accesstoinsight.org/tipitaka/mn/mn.049.than.html 
[15] “Antes do seu tempo,bhikkhu, haviam reclusos e brâmanes no mundo que se diziam completamente despertos e que guiavam seus discípulos. Eles ensinavam o Dharma aos seus discipulos e renunciantes e desejavam  ter discípulos e renunciantes. E quando seus corpos pereceram após o último suspiro, eles se estabeleceram em corpos inferiores.”
[16] “Antes do seu tempo,bhikkhu, haviam reclusos e brâmanes no mundo que se diziam completamente despertos e que não guiavam seus discípulos. Eles não ensinavam o Dharma aos seus discipulos e renunciantes e  não desejavam  ter discípulos e renunciantes. E quando seus corpos pereceram após o último suspiro, eles se estabeleceram em corpos superiores.”
Então, bhikkhu, eu lhe digo isso. Estimado senhor, viva sem preocupações, devotando-se ao aqui e agora. É melhor deixar por isso mesmo, sem aconselhar ninguém!’”
[17] Passagem do Sutra do Nirvana, citada por Shinran Shonin no seu Kyogyoshinsho, chapter V. The Collected Works of Shinran, Shin Buddhism Translation Series, Jodo Shinshu Hongwanji-ha, Kyoto, 1997, p.505.p.182

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